“O homem se pronuncia depois da criação, põe-se de pé, proclama-se, bravamente dirige palavras iradas. A estranha força da criação desaparece, e talvez ela mesma tenha se tornado qualquer tudo. O senhor de si tornara-se a loucura, talvez. O homem ajoelha-se, para logo erguer-se e com seus dois braços abertos lançar-se por terra, condoer-se, revirar em si suas próprias entranhas, sucumbir-se e junto a si os tantos iguais a si aprumados pela extinta criação. Talvez a criação tenha se camuflado na existência. O homem novamente se ergue, cheio de si, com o queixo elevado e afiado, e então avança em marcha lenta, a passos duros, sobre a chusma fascinada, abobadas, enervadas, como se não houvesse mais tempo, nem desejos, como se não houvesse mais lágrimas, mais desterros ou mais árvores, ou nuvens. O homem não se confunde em sua razão, mas em sua loucura. O homem trota inteligentemente pelas curvas do planeta. O homem, sagaz, frágil, mas escaramuçados em idéias, pensamentos, ele tripula o planeta e toma para si por regras imaginárias o direito usualmente legítimo e pisa fundo, pula alto, canta para estremecer as bases. O homem capina, limpa, cuida, zela. O homem é o fim em si mesmo, além dos exageradamente naturais, e o homem é o começo de cada ser. Sem o homem, dizia-nos ele, não haveria graça já que nenhum homem poderia ao menos pensar em rir. O homem vê, não, vê não, o homem vislumbra a chuva. Acredita em um nascer do sol, crê num ciclo de luas cheias. O homem aprende consigo mesmo enquanto admira as estrelas. O homem é jovem porquê exagera da força inconvenientemente diante do espelho d’água. Então o homem sorri, ele se deita, ele se acomoda, e conquista o esforço dos outros homens que, se fosse pelo homem, nem mereceriam terem sido citados aqui”.
Josias tirou o boné da cabeça do filho, remexeu seu cabelo e disse que era um bom instante para dormir. O garoto estava um pouco perplexado. O pai se levantou, apagou a luz, encostou a porta ao atravessá-la. O garoto não conseguia dormir. Pensou melhor a respeito da historinha que o pai acabar de lhe contar. Ele achou que seriam necessários uns quarenta anos pare ele começar a entender alguma coisa. Talvez ele fosse um tipo de gênio e em algum momento lhe apareceria. Pensou na possibilidade, também, de ele ser abduzido e nele todas as informações precisamente entrarão em sua cabeça. Um gato miou [cocô – torneira e mãos – bocejo – ah! – xixi – coçadinha].
No dia seguinte...
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